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A escolha dos casos de uso de agentes de IA começa pela análise dos processos internos. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, a automação de processos internos já concentra 76% das aplicações de agentes inteligentes mapeadas entre os bancos brasileiros. Para 92% das instituições, o aumento da velocidade em tarefas rotineiras é o principal valor percebido com a inteligência artificial.

Os dados ajudam a explicar por que tantas empresas procuram processos para iniciar ou ampliar o uso de agentes. A seleção do primeiro caso precisa considerar mais do que volume de trabalho ou pressão por eficiência. Um agente conectado a um processo pouco documentado, alimentado por dados inconsistentes ou sem critério de resultado tende a ampliar problemas que já fazem parte da operação.

As discussões realizadas no FEBRABAN TECH 2026 mostraram a importância da ligação entre dados, mensuração, governança e liderança humana em uma operação. Mas, para as empresas, a questão que fica é como identificar quais processos oferecem condições para um teste controlado, considerando o nível de autonomia dos agentes.


Quando aplicar um agente de IA?

Um processo está pronto para receber um agente de IA quando possui demanda recorrente, políticas e limites documentados, dados acessíveis, integração viável e indicadores capazes de medir o resultado. A empresa também precisa definir como os erros serão identificados, quando a execução deverá ser interrompida e quais decisões continuarão sujeitas à aprovação humana.


Seu processo precisa de um agente?

Nem todos os processos corporativos precisam de agentes de IA. Atividades formadas por etapas fixas, entradas estruturadas e regras determinísticas podem ser atendidas por workflows tradicionais, integrações entre sistemas ou automação robótica.

A implementação de agentes faz sentido naqueles fluxos que incluem interpretação, contexto, exceções ou informações não estruturadas. O guia prático para construção de agentes da OpenAI destaca três contextos especialmente adequados:

  • decisões que dependem de avaliação contextual;
  • conjuntos de regras extensos ou difíceis de manter;
  • tarefas baseadas em documentos, textos, conversas e outros dados não estruturados.

É importante considerar que essa análise precisa vir antes da escolha da tecnologia. Um processo pode estar bem organizado e ainda ser mais adequado a uma automação convencional. A avaliação precisa identificar se existe espaço real para o agente interpretar informações, escolher ferramentas e decidir entre diferentes ações dentro de limites definidos.


Cinco critérios para avaliar casos de uso de agentes de IA

O primeiro critério é a recorrência. Uma atividade executada com frequência cria uma base para comparar desempenho, observar erros e medir ganhos. A empresa precisa conhecer o volume de ocorrências, o tempo médio de execução, a quantidade de pessoas envolvidas e a taxa de retrabalho. Processos esporádicos ou com grandes variações oferecem menos condições para padronização e aprendizado.

O segundo critério é a clareza das regras. O agente precisa saber que objetivo deve cumprir, que ações estão autorizadas e o que fazer diante de uma exceção. Isso envolve documentar critérios de entrada e saída, limites operacionais, situações que devem ser encaminhadas para uma pessoa e responsáveis pelas decisões.

Ainda que as regras sejam claras, nem todas as decisões serão previsíveis. O agente é útil especialmente quando é preciso interpretar contexto dentro de políticas conhecidas. O artigo Agentes de IA no desenvolvimento: contexto, método e governança demonstra como regras, contexto estruturado e critérios de validação transformam conhecimento tácito em capacidade operacional reutilizável.

O terceiro critério é a disponibilidade dos dados. A presença das informações em algum sistema da empresa não é uma garantia de que o agente conseguirá utilizá-las. É preciso verificar se os dados estão acessíveis no momento da decisão, se possuem qualidade suficiente, se estão atualizados e se o uso está autorizado.

Também deve existir clareza sobre qual fonte prevalece quando diferentes sistemas apresentam informações conflitantes. Em muitos casos, organizar fontes, permissões e critérios de qualidade representa a principal etapa anterior ao piloto.

O quarto critério é a viabilidade da integração. Consultar uma informação e executar uma ação representam níveis diferentes de complexidade. Para atualizar um cadastro, disparar uma comunicação, alterar uma condição comercial ou movimentar valores, o agente precisa acessar os sistemas de forma segura, registrar cada ação e responder adequadamente a falhas.

APIs, conectores, autenticação, ambientes de teste e registros de execução fazem parte dessa análise. Também é necessário saber se uma ação pode ser corrigida ou revertida. O artigo Integração, custo e dados: como escalar IA aprofunda o papel da arquitetura na conexão entre modelos, dados, APIs e processos corporativos.

O quinto critério é a mensuração do resultado. Todo agente precisa estar associado a um indicador operacional ou de negócio. No episódio do DoTheMATH gravado no FEBRABAN TECH 2026, Jun Okawa, Head de Crédito do Banco Safra, resume esse princípio: “Não tem como você começar nenhum projeto de IA sem pensar no resultado final.” A conversa aborda mensuração, dados, plataformas, agentes especializados, auditabilidade e decisão humana.

Tempo de ciclo, custo por execução, precisão, retrabalho, quantidade de exceções e impacto no indicador de negócio são algumas possibilidades. A métrica escolhida deve permitir uma comparação com o processo anterior e mostrar se o agente produziu uma melhoria relevante para a operação.


O diagnóstico separa processos prontos daqueles que precisam de preparação

A empresa pode atribuir de zero a dois pontos para cada um dos cinco critérios. Zero indica ausência de condições mínimas, um representa uma estrutura parcial e dois pontos mostram que o critério está suficientemente organizado para um teste.

A leitura pode seguir três faixas:

  • De oito a dez pontos: o processo pode avançar para um teste controlado, desde que nenhum critério tenha recebido zero.
  • De cinco a sete pontos: o caso possui potencial, mas ainda depende de documentação, organização dos dados, integração ou definição de métricas.
  • De zero a quatro pontos: o processo precisa ser preparado ou redesenhado antes do desenvolvimento do agente.

Uma nota baixa também oferece um direcionamento prático. Se o problema estiver nas regras, o próximo passo é documentar políticas e exceções. Se estiver nos dados, a prioridade deve ser organizar fontes, acessos e qualidade. Quando a integração ainda for limitada, a empresa pode começar com um agente assistivo, responsável por analisar informações e preparar recomendações sem executar ações nos sistemas.

Mas, apesar de dar uma noção de priorização para processos destinados a agentes de IA, a pontuação não substitui análises de segurança, privacidade, conformidade e impacto.


O risco define o nível de autonomia do agente

Dois processos com a mesma pontuação podem demandar níveis diferentes de autonomia.

Um agente que organiza documentos internos produz consequências distintas de um agente que aprova reembolsos, altera limites, envia propostas ou participa de decisões de crédito. Quanto maior o impacto potencial, maior precisa ser o controle sobre a execução.

Em um primeiro nível, o agente pode reunir informações, classificar casos e recomendar uma ação. A decisão permanece com a pessoa responsável. Em um segundo nível, o agente prepara a execução e aguarda uma aprovação. A autonomia pode aumentar quando a organização acumula evidências de desempenho e define limites claros para valores, perfis e situações de baixo risco.

A avaliação deve considerar o custo do erro, a possibilidade de reversão e os impactos financeiro, regulatório, operacional e reputacional. Também deve definir quem acompanha o agente, como as decisões são registradas e em quais condições a execução será interrompida.

O perfil de riscos para IA generativa do NIST recomenda definir responsabilidades de supervisão humana, documentar testes e validações e manter mecanismos para interromper sistemas que operem fora do uso pretendido. Essa estrutura também é aprofundada no artigo Agentes com governança para ganhar produtividade sem perder controle.


Um processo pronto ainda precisa provar seu desempenho

O diagnóstico permite selecionar os casos de uso de agentes de IA com maior potencial. O piloto mostra se o agente consegue operar dentro das condições definidas.

O teste deve começar por uma etapa delimitada, com entradas conhecidas e impacto controlável. Antes da implementação, a equipe precisa registrar o desempenho atual do processo e definir o resultado esperado. O conjunto de testes deve incluir casos frequentes, exceções conhecidas e situações de falha.

Considere um processo de pré-análise documental de crédito. A demanda é recorrente, as políticas indicam quais documentos são obrigatórios e os dados podem ser consultados em sistemas de cadastro e relacionamento. O resultado pode ser medido pelo tempo de análise, pela quantidade de documentos ausentes e pela taxa de retrabalho.

O processo apresenta condições para receber um agente, mas o impacto da decisão recomenda uma aplicação inicial assistiva. O agente pode reunir informações, verificar a completude dos documentos, identificar divergências e preparar uma síntese. Já a decisão de crédito permanece com a pessoa responsável.

Conforme o sistema demonstra qualidade, a empresa pode ampliar sua atuação em condições definidas. Esse avanço deve considerar estabilidade, custo, quantidade de exceções e tempo de revisão humana. Ganhar velocidade representa eficiência quando o fluxo também preserva qualidade, segurança e capacidade de correção.


Conclusão

A seleção de casos de uso de agentes de IA deve priorizar processos recorrentes, com regras documentadas, dados utilizáveis, integração segura e resultados mensuráveis. O nível de autonomia depende ainda do risco envolvido e da capacidade de supervisão humana.

O diagnóstico também mostra o trabalho necessário antes do piloto. Pontuações baixas em regras, dados ou integração indicam onde a empresa deve concentrar a preparação.

Com esses critérios, a escolha dos processos começa a refletir capacidade operacional, impacto e risco. O primeiro agente pode atuar em um recorte pequeno, desde que produza evidências suficientes para orientar a próxima decisão.

As conversas do DoTheMATH gravadas no FEBRABAN TECH 2026 aprofundam os critérios que levam agentes da experimentação à operação, incluindo dados, mensuração, governança, integração e decisão humana.


FAQ

1) Quais processos estão prontos para receber agentes de IA?
Processos recorrentes, com políticas documentadas, dados acessíveis, integração viável e resultados mensuráveis apresentam melhores condições para receber agentes de IA. O risco e a possibilidade de reversão definem o nível de autonomia.
2) Qual é o melhor caso de uso para começar a implementar agentes de IA?
O melhor caso combina volume relevante, contexto bem documentado, impacto controlável e uma métrica de negócio. A empresa deve conseguir testar o agente em uma etapa delimitada antes de ampliar sua atuação.
3) Qual é a diferença entre um agente de IA e uma automação convencional?
Uma automação convencional segue etapas previamente definidas. Um agente interpreta contexto, trabalha com informações não estruturadas, seleciona ferramentas e decide entre diferentes ações dentro de limites estabelecidos.
4) Um processo precisa ter dados perfeitos para receber um agente?
Os dados não precisam ser perfeitos, mas suas limitações devem ser conhecidas. A empresa precisa identificar fontes, lacunas, permissões, frequência de atualização e critérios para tratar informações conflitantes.
5) Quando a aprovação humana deve ser obrigatória?
A aprovação humana deve ser mantida quando uma ação puder produzir impacto financeiro, regulatório, operacional ou reputacional relevante, especialmente quando houver baixa possibilidade de reversão.
6) Quais métricas devem ser usadas em um piloto de agente de IA?
As métricas podem incluir tempo de ciclo, custo por execução, precisão, retrabalho, quantidade de exceções, tempo de revisão humana, incidentes e impacto no indicador de negócio.

 

Time MATH
Post by Time MATH
setembro 4, 2026
Método científico aplicado em Mídia, CRM, Marketing e Tecnologia.